Adolescentes
Homossexuais Sofrem de um Alto Risco de Suicídio
Nova Iorque
(Reuters Health, 13 Maio 1999) – De acordo com o relatório de
uma equipa de investigadores norte-americanos, as probabilidades dos
estudantes do ensino secundário que são gay, lésbica ou bissexual, ou
incertos quanto à sua orientação sexual, tentarem cometer suicídio
é pelo menos 3 vezes maior em relação aos seus colegas
heterossexuais.
Os investigadores dizem que estes resultados poderão ajudar a
identificar os adolescentes que estão em risco de cometer suicídio e
sugerem que talvez seja importante explorar "os efeitos da
marginalização no desenvolvimento e bem-estar dos adolescentes".
Dr. Robert Garofalo e os seus colegas no Children's Hospital em
Cambridge, Massachusetts, e em The Johns Hopkins School of Hygiene
and Public Health em Baltimore, Maryland, utilizaram dados obtidos
num inquérito efectuado a mais de 3300 estudantes do ensino secundário,
em 1995. Este inquérito, conduzido pelo Centers for Disease Control
and Prevention, incluiu perguntas sobre a orientação sexual e
tentativas de suicídio.
129 dos estudantes identificaram-se como gay, lésbica, bisexual, ou
incertos quanto à sua orientação sexual (GLBN). De acordo com os
relatórios na edição de Maio do Archives of Pediatric and
Adolescent Medicine, a análise dos dados indica que as
probabilidades dos estudantes GLBN terem efectuado tentativas de suicídio
no ano anterior é 3.4 vezes maior, em comparação com os estudantes
heterossexuais.
Os autores concluíram que "o crescimento dramático das taxas de
morte por suicídio na juventude (durante os últimos 50 anos) tornam a
identificação dos factores de risco uma questão de saúde pública”.
"Uma maior compreensão de quais são os riscos de suicídio ajudam
não só na identificação dos jovens mais vulneráveis, mas também na
criação de programas eficientes para a prevenção do suicídio na
adolescência''.
Numa intrevista dada à Reuters Health, Garofalo procurou chamar
a atenção para possíveis interpretações erradas dos resultados do
seu trabalho. Garofalo diz : "O mais importante para mim é
que, na minha opinião, não há nada de intrinsecamente patológico na
juventude gay, lésbica ou bissexual. Nada na homossexualidade per se
predispõe os indivíduos para o suicídio... Quando se toma em atenção
o isolamento, a marginalização, o desespero e a depressão dos
estudantes GLBN, não é uma surpresa que estes declarem um número
maior de tentativas de suicídio". "O que é absolutamente crítico
e necessário é dar apoio a estes jovens de um forma aberta e sem
qualquer tipo de julgamento "
Fonte: Archives of Pediatric and
Adolescent Medicine 1999;153:487-493.