Combater a
Homofobia
Por Val Lunn, ACW Talking Point March, 1993
O que é a homofobia?
O termo homofobia foi usado pela
primeira vez nos anos 70 por um psicólogo americano. Actualmente o
termo é utilizado para descrever o medo de amar ou de estar intimamente
com alguém do mesmo sexo e o ódio à existência desses sentimentos
noutras pessoas. A palavra homofobia também descreve as atitudes e os
comportamentos hostis contra lésbicas e gays. A homofobia é derivada
do heterossexismo, a opressão das pessoas lésbicas, gay e bissexuais
baseada num conjunto de crenças que assumem que a heterossexualidade é
a única forma de sexualidade natural, normal e aceitável.
A assunção de que toda gente é ou irá
ser heterossexual é tão universal que a maioria das pessoas pensa que
não tem nenhuma outra hipótese em relação à sua sexualidade. O
heterossexismo silencia e torna as lésbicas, gays e bissexuais invisíveis.
Baseia-se em ideias pouco exactas, preconceituosas, mal-informadas e
enganadoras acerca das vidas deles e cria mitos e estereótipos, que são
usados para justificar o preconceito e a discriminação. O
heterossexismo, como noutros tipos de opressão, é apoiado pela maioria
da instituições na sociedade, predominantemente a Igreja, o Estado e
os Média (o que não quer dizer que não há pessoas homo ou bissexuais
a trabalhar nestas instituições!).
A cultura ocidental oferece-nos
mensagens muito claras quanto às expressões da sexualidade que acha
correctas ou não. Todos somos criados para acreditar que a nossa
sexualidade está definida de uma forma muito rígida, ao ponto de que
se pensa que é heterossexual e que não se pode de algum modo sentir
atraído por pessoas do mesmo sexo. O único comportamento sexual aceitável
tem de acontecer inserido no contexto de um casamento heterossexual e
ter como último objectivo produzir crianças. A sexualidade das lésbicas,
gays e bissexuais desafia e ameaça as regras não só sobre o
comportamento sexual aceitável, mas também as ideias tradicionais do
que é ser feminino e masculino.
Como se reconhece a homofobia?
É importante começar por assumirmos que somos homofóbicos - a
sociedade chega a pontos surpreendentes no modo como nos ensina a ser
homofóbicos. Reconhecer e aceitar a nossa própria homofobia
permitir-nos-á começar a reconhecer e a desafiar a homofobia no
ambiente de trabalho e em qualquer outro lugar. Para desenvolver a tua
própria consciencialização experimenta responder à seguintes
perguntas:
Algumas vez páras de fazer ou dizer
algo porque julgas que alguém poderá achar que és lésbica, gay ou
bissexual? Se sim, que tipo de coisas?
Alguma vez fazes ou dizes coisas
intencionalmente para que as pessoas pensem que não és lésbica, gay
ou bissexual? Se sim, que tipo de coisas?
Achas que as pessoas lésbicas, gay ou
bissexuais podem influenciar as outras pessoas a tornarem-se lésbicas,
gay ou bissexuais? Achas que alguém poderia influenciar-te de modo a
mudares a tua orientação sexual?
Se és/fosses pai ou mãe, como te
sentirias/sentes com a possibilidade de ter uma filha lésbica ou um
filho gay?
Como achas que te sentirias se
descobrisses que um dos teus pais ou irmãos é lésbica, gay ou
bissexual?
Achas que há algum tipo de emprego que
as pessoas lésbicas, gay ou bissexuais não deveriam exercer? Se sim,
quais?
Irias a um médico que soubesses ou
achasses ser lésbica ou gay, se essa pessoa fosse de sexo diferente do
teu? E se fosse do mesmo sexo que tu? Se não, porque não?
Se alguém de quem gostasses te
dissesse "Acho que sou homossexual", sugerir-lhe-ias ver um
terapeuta?
Alguma vez estiveste num bar, evento
social ou marcha lésbica ou gay? Se não, porque não?
Usarias um crachá a dizer "Como
se atreve a presumir que sou heterossexual?"? Se não, porque não?
Alguma vez te sentiste desconfortável
na companhia de pessoas lésbicas, gay ou bissexuais por pensares que
poderiam fazer avanços românticos ou sexuais?
Consegues pensar em três aspectos
positivos da forma de vida lésbica, gay ou bissexual? Consegues pensar
em três aspectos negativos da forma de vida heterossexual?
Como se desafia a homofobia pessoal?
1. Começa pelo reconhecimento da tua própria homofobia, por tomar a
responsabilidade pelas tuas crenças e atitudes para que possas começar
a desafiar o teu próprio comportamento.
2. De longe o mais importante é identificar a homofobia como o problema
e não as pessoas lésbicas, gay ou bissexuais como tal.
3. Pensa nas semelhanças e nas diferenças entre a homofobia e as
outras formas de opressão. Usa aquilo que sabes sobre o sexismo, o
racismo, o classismo, etc, para perceber a homofobia e para ajudar-te a
encontrar formas de a desafiar.
4. Escuta as experiências das pessoas lésbicas, gay e bissexuais e
aceita as suas experiências de opressão como válidas.
5. Se começares a contestar piadas, comentários ou linguagem homofóbica
e/ou a apoiar os direitos das lésbicas, gays e bissexuais, prepara-te
para que as pessoas pensem que poderás ser lésbica, gay ou bissexual e
resiste à tentação de adicionar comentários como "Eu não sou lésbica/gay/bissexual,
mas...".
6. As investigações mostram que a melhor forma de combater o
preconceito e os estereótipos é tendo contacto com as pessoas sobre as
quais temos preconceitos. Ao mesmo tempo também é importante não
esperar que as pessoas lésbicas, gay ou bissexuais que se conhece sejam
especialistas nos assuntos lésbicos, gay ou bissexuais, representativas
de todas as pessoas lésbicas, gay e bissexuais ou preparadas para tomar
a responsabilidade pela nossa aprendizagem.
7. Se tiveres capacidades para aprender através da leitura, há muitos
livros escritos por e sobre as vidas de lésbicas, gay e bissexuais.
8. Não faças assunções àcerca da sexualidade das pessoas. Uma das
formas em que ser lésbica ou gay difere de outros grupos oprimidos é
que não é sempre óbvio quem é lésbica ou gay. Estima-se que 1 em
cada 10 pessoas é lésbica ou gay. Isto quer dizer que existem lésbicas
e gays na tua família, entre os teus amigos e colegas (inclusivé
aqueles que se encontram casados).
9. Não fales sobre "aquelas pessoas" ou "estas
pessoas". É muito ofensivo. Não tenhas medo de utilizar as
palavras "lésbica", "gay" ou "bissexual".
10. Existem mitos e estereótipos acerca de todos os grupos de pessoas
oprimidos que servem para justificar a discriminação. Juntamente com
as anedotas, nomes ou maledicência, mitos e estereótipos devem ser
sempre desafiados e contestados, quer esteja presente alguém assumido
ou não. A não contestação destas expressões cria uma atmosfera de
conivência e deixa implícito que é aceitável discriminar contra as lésbicas
e os gays.
11. É importante reconhecer que algumas lésbicas e gays vão sentir
que é bastante mais difícil ser abertos quanto à sua sexualidade. Lésbicas
e gays de raça negras, que são constantemente confrontados com o
racismo, podem sentir que a discriminação contra eles aumentará se
forem honestos quanto à sua sexualidade. Lésbicas e gays jovens
arriscam-se a ser expulsos de casa e a tornar-se "sem-abrigo"
se se assumirem às suas famílias. Pais que são lésbicas ou gay
arriscam-se a perder a custódia dos seus filhos por serem quem são.
12. Pensa no que precisas para desenvolver uma atitude mais positiva em
relação às lésbicas, gays e bissexuais. De que modo podes te
identificar com as lésbicas, gays e bissexuais? Que factores na tua
vida facilitarão uma atitude mais positiva? Que factores poderão
inibir essa atitude mais positiva?
Fonte: http://www.community-work-training.org.uk